domingo, 8 de novembro de 2009

O 2A em minha vida

por Fabiana Siqueira

A Turminha do Crochê (Gleicinha, Geiziane, Edilânia e Vivi) e eu em frente ao Cantinho 2A

Venho acompanhando o 2A pela internet há algum tempo e sempre tive vontade de fazer parte dele. Quando saí de São Paulo para vir morar aqui em Fortaleza aproveitei a oportunidade e finalmente consegui fazer parte dele.

Estou bem feliz, nos primeiro encontros ajudei na secretaria e agora estou com uma turma: o CR1. Estou gostando bastante. É uma experiência nova pois ao mesmo tempo que ensinamos, aprendemos muito com esses baixinhos.

Ministro também uma oficina de crochê no Cantinho do 2A e o interesse dos meninos em aprender me deixou muito satisfeita.

Acreditando e Aprendendo com certeza teremos um futuro melhor para essas crianças.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SÍSIFOS?

por Demetrius Oliveira Thaim

Em sua obra Trópico de Câncer, Henry Müller escreve: “o homem com fome não é nada, a não ser um estômago rodeado de órgãos acessórios”. Charles Bukowski reafirma a frase de Müller ao escrever na obra Factótum: “a alma de um homem está profundamente enraizada em seu estômago”. Ambos passaram por momentos que são resumidos pela busca diária de um prato de comida (para ser honesto, Bukowski se interessava pelas bebidas). Busca do mínimo para suas sobrevivências! Claro que, posteriormente, alcançaram a fama e os problemas deste tipo foram ‘resolvidos’, ou seja, suas aventuras e desventuras foram temporárias, mas profundas a tal ponto de serem implicitamente retomadas em seus textos. Mas, a partir da leitura destes livros, surgiu a pergunta: e aqueles que cotidianamente sofrem por isso e, mais ainda, sem possibilidade de saírem desta busca? Aqueles que, além da procura diária por um prato de comida, têm a visão rotineira da violência, a sensação dolorida da indiferença, a certeza latente da exclusão?

Diante de tais fatos podemos nos perguntar se nossas atitudes como voluntários da ONG podem efetivamente proporcionar algum tipo de transformação dentro de tal comunidade já que nossos encontros são quinzenais, quatro horas, enquanto, que nossos educandos são diariamente expostos a tais situações. Nosso trabalho seria, então, inútil? Sem sentido? Pois, não enxergamos concretamente o resultado de nossos esforços?

--- Não adianta! Eles são assim mesmo!

Creio que nos movimentamos num espaço em que os resultados devem ser pacientemente gestados. Num espaço em que a esperança de uma transformação – que transformação? – deve ser buscada com insistência e, novamente, com muita paciência. Não acredito que nosso trabalho seja vão, mas é preciso perseverar e, mais ainda, lidar de frente com o fato de nossos esforços, por vezes, não trazerem os resultados que esperamos.

Lembro de Sísifo que foi condenado a rolar, eternamente, uma pedra para o cume de uma montanha. Chegando ao alto, a pedra rolava para baixo e, mais uma vez, ele a levava para cima. Parece-nos que Sísifo foi condenado a uma atividade sem sentido, uma atividade que não possui nenhum resultado e, mais ainda, exige esforços repetidos que não levam a nada. Por que Sísifo não deixou a pedra rolar por cima dele, matando-o e livrando-o dessa tarefa? Porque Sísifo aceitou seu ‘castigo’ e preferiu assumi-lo a fugir.

Podemos dizer que nossas atividades assemelham-se a aceitação de Sísifo? Ter consciência que carregamos uma enorme pedra e aceitamos o desafio de, constantemente, levá-la para o alto. Um esforço repetitivo – inútil? – mas, consciente. Sua subida e descida é movimento firme da aceitação de sua tarefa, o esforço constante da responsabilidade. Não fugimos. Não aceitamos explicações convenientes. Não damos soluções sem sairmos de casa. Aceitamos e sujamos as mãos. Enfim, assumimos! Como diz Camus: “É preciso fazer Sísifo feliz”.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A importância da Cultura em Nossa Vida

Neste semestre a turma AD (15 a 18 anos) está trabalhando o tema cultura. No último encontro foram selecionadas as melhores produções de texto. Confira:

"A cultura está presente em nossas vidas, em nossos costumes, nas etnias, nas comidas típicas. E não é só isso, esse tema vai além do que pensamos. Está presente naquilo que gostamos de fazer, de ver ou mesmo de assistir, como por exemplo artesanatos, quadros em exposição, artes, filmes, música ou peça de teatro. A cultura brasileira é bem diversificada. Podemos escolher o que vestir, o que cantar e ouvir, os estilos que queremos usar, quantos filhos queremos ter. Em outros países isso é diferente. Algums só permitem que se tenha 1 filho, ou preferem comer iguarias ou se vestir ou calçar de modo diferente. Nossa cultura é divinamente legal!
Não existe amarelo, branco, azul ou negro, o que existe é uma nação unida onde compatilhamos nossa cultura".
Aurilany Aguiar

"A cultura é algo importante para nossas vidas, pois estamos diretamente ligados a ela, seja no colégio, no trabalho ou em casa a cultura sempre estará lá para nos ensinar algo.
Com a globalização a cultura vem perdendo seu espaço para a internet. Um forte exemplo disso é que praticamente não utlizammos mais livros, tudo o que precisam é só ir na tal net pesquisar, imprimir e pronto.
Outra coisa que não é certo é não respeitar sua cultura. Se você conseguir conhecer e respeitar sua cultura, automaticamente aprenderá a respeitar as outras".
Cristiano Furtado

"Música, comida, arte, a cor da nossa pele. Tudo isso e cultra e isso é importante para todos nós. No nosso país temos o samba, as etnias e as belezas naturais. Nós, brasileiros somos muito alebres, pois nossa cultura faz com que sejamos assim. Se tivermos cultura, teremos tudo".
Davi Furtado Sousa

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A História do 2A - Parte 1


"Meu nome é Mitsue Oyama Siqueira (57), paulista, psicóloga clínica (abordagem transpessoal), casada há 36 anos com Luiz Antonio Siqueira, gerente de postos da BR Distribuidora em Recife (PE), mãe de Karina, Joanne, Wilian e Juliane.

Em julho de 1997, nos mudamos de Balneário Camboriú (SC) para Fortaleza. Após 1 semana aqui instalados, Bete entrou em nossas vidas como secretária doméstica, nos apresentando um mundo novo e perigoso: a favela Santa Filomena, local onde morava.

Após 1 ano de convivência, eu ainda estudante de psicologia, ela pediu para que conversasse com sua filha de 13 anos, precocemente interessada em sexo, num contexto recheado de mães adolescentes e muitas vezes com mais de um filho, de pais diferentes. Bete desejava um futuro melhor para seus filhos e não sabia como abordar assuntos como prevenção de gravidez e DSTs. Pedi para que ela aguardasse passar o período de provas na faculdade, para que ela trouxesse a filha numa tarde de sábado em casa.

Nesse ínterim, conheci José Bleger, na disciplina de Psicologia Institucional, que pregava:
  1. A prevenção como meio mais rápido e barato para a saúde da população;
  2. A ida do psicólogo clínico à comunidade cuja demanda é tanto tamanha quanto desconhecida. Convida o profissional a largar o conforto de seu consultório e ir até onde há necessidades múltiplas, e
  3. O estudante de pisicologia está habilitado a arregaçar as mangas.
- Eu posso? Me questionei, pois desde o 1º semestre percebia as lacunas em todas as áreas e dizia a mim mesma: - Quando eu me forma vou..."

Parecia que Bleger falava através da professora Patrícia para mim. Cresci com essa validação: não preciso esperar a formatura, fui autorizada.

Quando cheguei em casa, nesse mesmo dia, ouvi a chamada do
Jornal Nacional: - Enquanto o número de adolescentes grávidas aumenta, suas idades diminuem. A reportagem mostrava a primeira discussão nacional sobre o aborto de uma fanzina menina de 10 anos, com uma boneca no colo.

Juntando o pedido da Bete, a fala mágica de Bleger e a voz grave de Sérgio Chapelin, me pareceu uma mensagem do Papai do Céu: - Vá até a favela, converse com a Cristina e suas amigas, vizinhas e parentes sobre sexo, métodos contraceptivos, DSTs e afins.

Bete não aprovou a idéias da ida a favela, pela falta de segurança, mas conseguiu uma sala no Colégio mais próximo, pois haviam 27 meninas interessadas em me ouvir e não havia casa que comportasse esse número de pessoas.

Assim, em 31 de outubro de 1998 nasceu o
2A - Acreditando e Aprendendo, no Colégio José Barros de Alencar".

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Música e Educação: um casamento feliz

por Iuri Gaier

O que era senso comum agora tem base científica para sustentar-se: a música é uma poderosa aliada educacional. Não só para acalmar e disciplinar aquela classe de adoráveis educandos,

ou para deixar aquela insuportável aula de física quântica mais interessante, mas para estimular diversas áreas do cérebro e facilitar o aprendizado.

Projetos para o 2A com instrumentos de percussão confeccionados pelos próprios educandos seriam uma iniciativa muito bem vinda, que além do baixo custo desenvolveria a musicalidade dos participantes.

A música é muito importante não só para sensibilizá-los para a música ou para que se tornem artistas extremamente virtuosos, mas para que outras áreas do cérebro sejam estimuladas também.

Sabe-se que a que a área cerebral responsável pela música está muito próxima da área de raciocínio lógico-matemático (as conexões nervosas acionadas ao se executar uma obra clássica são muito próximas daquelas usadas ao se fazer uma operação aritmética ou lógica, no córtex cerebral esquerdo). A música é um dos estímulos mais potentes para estimular os circuitos do cérebro. Além de tudo ainda contribui para a compreensão da linguagem e para o desenvolvimento da comunicação, para a percepção de sons sutis e para o aprimoramento de outras habilidades.

Pesquisas realizadas com o intuito de provar essa característica de estímulo cerebral da música mostram que, depois de meses de aula de piano e canto, crianças mostraram melhores resultados na cópia de desenhos geométricos, na percepção espacial e no jogo de quebra-cabeças do que as que não tiveram aulas de música.

Assim também se observou que músicos destros têm mais habilidade com a mão esquerda do que pessoas canhotas.

Casar música e educação dentro de uma sala de aula, além de gerar resultados animadores e gratificantes, faz com a difícil tarefa de ensinar seja muito mais gostosa e divertida. E não é só o aluno que ganha com isso!





terça-feira, 1 de setembro de 2009

“Declaração do Milênio”

por Sylene Ruiz

“Precisamos mais do que nunca, do engajamento dos voluntários para que o nosso desejo de um mundo melhor para todos se transforme em realidade” – Kofi Annan (Secretário Geral da ONU).


Dando continuidade aos Posts anteriores, por sinal, bem colocados por nossos amigos educando, onde já foi falado de cidadania e voluntariado, vamos declarar os “Objetivos do Milênio”. Sim, para nós que trabalhamos em projetos sociais é importante conhecer a convergência da opinião pública internacional a cerca dos desafios que afligem a sociedade contemporânea.

Em uma matéria publicada no jornal Diário do Nordeste - julho de 2009 (www.projetossociais.org) nos revela que no ano 2000, a ONU – Organização das Nações Unidas, reunida com representantes de quase 200 países, ao analisar os maiores problemas mundiais, estabeleceu objetivos comuns, sintetizados numa declaração chamada “Objetivos do novo Milênio”, que didaticamente tornou-se conhecida e divulgada como “8 jeitos de mudar o Mundo”. Uma espécie de missão do “mundo para o mundo”, onde algumas prioridades foram colocadas para que nossa sociedade como todo, pudesse ter uns rumos certos e objetivos a serem alcançados no novo milênio.

Essas ações propostas foram colocadas a partir de análises aplicadas a cada território geográfico, padrões culturais, relacionamento político estabelecido, nível de desenvolvimento da sociedade etc. daí dada à universalização dos princípios básicos tornam-se aplicáveis a todos os povos.

Eis as 8 prioridades:

1- ACABAR COM FOME E A MISÉRIA;

2- EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS;

3- IGUALDADE ENTRE SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER;

4- REDUZIR A MORTALIDADE INFANTIL;

5- MELHORAR A SAÚDE DAS GESTANTES;

6- COMBATER A AIDS, A MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS;

7- QUALIDADE DE VIDA E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE;

8- TODO MUNDO TRABALHANDO PELO DESENVOLVIMENTO.

Para maior esclarecimento de cada item segue o link: http://www.objetivosdomilenio.org.br/

Bom gente.., o que me deixa feliz não é, claro, o fato de essas questões existirem, mas sim que nós terráqueos e meros mortais possamos tomar ações voltadas para uma vida mais justa e igualitária. _ Parece até “filosofia barata” ou frases já batidas, mas ainda existe muita gente que acha que os problemas sociais são de responsabilidade somente do governo e escondem-se por trás disso para não poder cumprir o seu papel de cidadão.

Apenas quero atentar para que simples ações que tomamos em nosso dia-a-dia como não desperdiçar comida, água, energia, não jogar lixo nas ruas e dedicar um tempo as pessoas necessitadas possam assim contribuir para um desenvolvimento positivo em nosso meio, afinal, as mudanças acontecem primeiramente dentro de nós em nossas atitudes e ações, e se percebermos, essas ações ainda estão inclusas nas 8 prioridades defendidas.

Façam uma boa leitura!

É isso aí!


domingo, 23 de agosto de 2009

O deserto do conhecimento


Meu nome é Phillipe Sena. Tenho 23 anos. Sou formado em Educação Física e estou aqui para contar como a atividade física mudou minha vida.

Antes de entrar na faculdade eu tinha a idéia de que a prática de exercícios físicos só servia para a diversão. Meu primeiro estágio foi na academia do meu primo. Era negócio de família e, apesar de não pagar nada, me ensinou que o sucesso, profissional ou pessoal, só chega através do nosso esforço. Acredito que é bem melhor investir em nosso futuro, do que fazer algo somente por dinheiro, sem gerar reconhecimento e principalmente conhecimento.

O exercíci físico é tão importante para o corpo quanto para a mente. É fato que uma atividade bem direcionada pode gerar melhora nos estudos - na concentração, memória e paciencia.

No 2A aprendo o quanto é importante valorizar as pessoas. Nunca pensei que teria tempo para participar de algum projeto voluntário, mas depois que comecei meu trabalho se tornou mais produtivo e alegre. Saber que estou ajudando alguém com o pouco que aprendi é muito gratificante. Somos um grão de areia no meio do deserto de conhecimento, e cada grão tem sua importancia e seu valor.